segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

IMAGENS DO JONGO


Foto de Domingos Peixoto

O documentário Imagens do Jongo é o relato da viagem de fotojornalistas em seu dia de descanso a uma festa da comunidade negra no Quilombo São José da Serra, uma organização social com 150 anos de existência e cerca de 200 quilombolas, que há muito lutam pela preservação da cultura Afro no estado do Rio de Janeiro.
Este é o segundo documentário de uma série de três produzidos sobre o fotojornalismo no Rio de Janeiro, começando com Abaixando a máquina, premiado em dois festivais recentemente e que finalizará com uma produção sobre os fotógrafos populares nas comunidades do Rio de Janeiro.
As imagens captadas tentam traduzir de uma forma simples e sem nenhuma obrigação teórica, toda a beleza reunida nesses momentos de maio de 2008.
Neste registro a fotografia é um elemento multirracial, com todas as origens no território africano e todos os elementos transitando entre o Brasil urbano e o rural, entre o sentimento que define África e América Latina.
Com direção e roteiro de Guillermo Planel, argumento e conceito de Domingos Peixoto e produção da Approach, o filme é pontuado pela produção de imagens de alguns fotógrafos do jornalismo carioca que estiveram presentes na “Festa de Jongo em homenagem aos Pretos-velhos”, com duração de 26 horas, na qual fotógrafos como Ernesto Carriço, Letícia Pontual, Severino Silva, Domingos Peixoto, Hudson Pontes, Eduardo Naddar, Marina Alves e Ricardo Moraes, dão seu depoimento sobre o evento e mostram como foi o processo de captar essas imagens de beleza, magia e emoção.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

PARA ENTRAR EM CONTATO:



guiplanel@gmail.com

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Triste brincadeira de criança

Foto de Severino Silva


Pode existir uma brincadeira de criança profundamente triste e desconcertante? Nas comunidades carentes do Rio de Janeiro pode e acontece com mais frequência do que muitos imaginam. Milhares de crianças estão expostas diariamente ao flagelo social, indefesas por uma violência que se aprende nas ruas a partir da ausência de quem devia lhes dar orientação, carinho e proteção.
Que futuro podem ter essas crianças que brincam com revólver de plástico com pente de balas adaptado e fechado com fita isolante, igual a uma arma de verdade, com leite em pó ensacado com se fosse cocaína e com dinheiro fake, com a esfinge de George Washington, representando o lado capitalista do crime, no centro da imagem?
Esta é uma brincadeira recorrente nas favelas, que resume a atual essência da sociedade contemporânea: competição, drogas, violência, ganância, globalização, dolarização da economia e morte como final de processo.
Uma foto como essa nos faz questionar porque devem existir mundos tão separados, abismos tão gigantescos, em um espaço relativamente pequeno como é a cidade do Rio de Janeiro. Não é a divulgação de fotografias como esta de Severino Silva que denigre a imagem do Rio, como quer a parte mais reacionária, como querem os governantes nesta cidade.
Quem denigre a imagem do Rio de Janeiro são exatamente esses setores da sociedade, que insistem em viver varrendo a realidade para baixo do tapete, inconscientemente querendo reeditar uma era obscura de ausência de informação. Agem sem perceber, como agia a monarquia na França antes da revolução.
Não é necessário ser vidente ou muito esperto para prever qual é o futuro dessas crianças. A única oportunidade que a sociedade lhes oferece é ser parte de uma estatística, confirmando a imagem do bandido-herói como exemplo a ser seguido, sem família e sem Estado que as possa orientar.






segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Abaixando a Máquina no Festival do Rio 2008






















Abaixando a Máquina no Festival do Rio 2008. Realmente é algo para se orgulhar como realizador de um trabalho audiovisual com temática social do trabalho de fotojornalistas na cidade. Participar de um festival Internacional com este, ainda mais dentro de uma mostra como Cenas do Rio, faz refletir sobre como as idéias que criamos, quando se realizam através de um trabalho coletivo, se transformam em questões de discussão social e é para reconfortar o espírito, não por vaidade, mas por certeza de ter escolhido as idéias e as pessoas certas para realizar um trabalho como este. No domingo 28/09, a primeira apresentação do filme seria no Odeon, às 17h30. Quando cheguei na porta do cinema, o ambiente era desolador: a chuva e o frio castigavam as poucas pessoas que transitavam em direção a algum lugar seco e quente. E certamente não eram público para nosso filme. Como eu esperava que a sessão realmente estivesse vazia, não me importei muito, quando faltando 20 minutos para começar, não havia ninguém. Faltando 15 minutos, começou a chegar um público ansioso por ver o filme. Poucos conhecidos, poucos familiares, poucos amigos. Participantes da produção quase nenhum. Da produção éramos literalmente quatro gatos pingados, mais pelos pingos d´água que por gatos. Mas lotou, havia publico em pé, sentado no chão, enfim, uma surpresa, uma alegria, várias certezas. Ontem houve a segunda sessão do filme no Odeon, hoje é na Gávea, amanhã e depois é em um cinema no subúrbio, no mesmo circuito do festival. Vou descobrir aonde é e vou lá.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Blog de Nelson Vasconcelos da INFO etc - O Globo


De carnaval e fotojornalismo social



Após o carnaval, no meio do processo estatístico de contagem das vitimas por acidentes, algumas fotos publicadas trazem uma série de elementos que podem ajudar a entender o fotojornalismo como instrumento de transformação social - através da legitimação do fato narrado - incluindo nisso o trabalho do próprio fotógrafo e seu papel social.
O desfile em carro aberto de um suposto contraventor em Nilópolis foi publicado em primeira página de O Globo, a princípio como forma de noticiar a tradicional comemoração da vitória das escolas de samba do Rio de Janeiro.
A manchete confirmava que “Beija-Flor ganha pela quinta vez em 6 anos” e ao que tudo indicava, era para ser apenas uma pagina tradicional de pós-carnaval. Logo a relação entre a contravenção e um ente do sistema público de segurança, neste caso, os bombeiros, ficou evidente através do registro do fotógrafo Marcelo Carnaval.
A intenção de Carnaval ao registrar a comemoração do carnaval, era a de cumprir uma pauta tradicional, porém uma rápida análise revelava que algo estava errado na constitucionalidade daquele fato. A imagem dos dois poderes antagônicos em harmonia nota 10, não deveria acontecer. Ela não podia ser aceita como normal. Tinha de ser publicada como a constatação de um fato transgressor, para mostrar que a realidade deve ser essa: o fotojornalismo registra o acontecido, mesmo quando não existe a intenção inicial de se publicar.
Seguida de uma primeira análise, a foto permitia observar que, dentro da cena, encostados na boleia do caminhão, outros fotógrafos registravam a cena dentro da própria cena, uma metalingüística criada involuntariamente por Carnaval.
Em seqüência, foi publicada a foto de Domingos Peixoto desde seu ponto de observação, de cima do caminhão. A imagem era ainda mais constrangedora do que a foto inicial. A foto publicada no dia seguinte mostrava um agente do estado, uniformizado, sentado criteriosamente no chão do caminhão de forma que não atrapalhasse o presidente de honra em sua comemoração. A posição dos personagens naquela imagem sugere que o poder público está em nível inferior à ilegalidade. Infelizmente, é isso o que a leitura da foto revela.
Não cabe ao fotógrafo, questionar o que é certo ou errado, não é dele a responsabilidade dos problemas acarretados pela atitude que levou à constatação do fato. O fotojornalista social - no sentido de quem registra em seu trabalho as questões sociais e não a relação entre paparazzos e colunáveis - deve ter a exata noção de até aonde deva ir a imparcialidade dentro de seu trabalho, da importância da questão ética em seus registros, principalmente no resguardo da dor das vítimas quando expostas à violência.
Já a pessoa pública, fotografada em local público, deve antes de tudo ter em mente que se ela é uma celebridade, vive exposta. Certamente será questionada por seus atos e terá interpretadas as suas atitudes. Existe um profundo abismo entre as celebridades de plantão e o morador de comunidade que teve seu filho morto por uma bala perdida. Todos eles estão no enquadramento do fotojornalismo. A distinção entre o que é nefasto, abominável ou ético é o leitor da imagem quem faz.
Existe a personalidade que usa a mídia como meio de ascensão na escalada pela fama, principalmente nesta época do ano, e quando julga ter chegado lá, trata fotógrafos e jornalistas como seres diabólicos, munidos de maquinetas infernais. O fotógrafo de jornal durante os desfiles nos camarotes e nos períodos que antecedem a grande festa, está munido de um super poder que transforma tudo o que registra em fatos determinantes para levar ao inferno ou ao paraíso celebridades e aspirantes a famosos.
Em outro oposto, infelizmente indispensável, está o registro dos conflitos urbanos em que o fotógrafo de “guerrilha” mostra os moradores de comunidades expostos à violência, tendo sua tragédia pessoal publicada na mídia. São nestes tristes episódios que o processo ético do fotojornalismo deve estar sendo observado por toda sociedade.
Por isso, é fundamental ter a consciência de que o fotojornalista não imputa ao fotografado atributo cultural, social ou político. Como já declarou Flavio Damm, um mestre da fotografia e nas questões sociais envolvidas nela, - “Fotógrafo não faz demagogia, fotógrafo faz fotografia”.

Guillermo Planel







quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Registro de uma ação

Foto de Guillermo Planel

No registro de uma ação de conflito como a ocorrida em 17 de abril de 2007, no bairro do Catumbi, um fotógrafo, um documentarista e um repórter de televisão, se protegem das balas dentro de um cemitério no Rio de Janeiro. A tensão é total, a atenção é redobrada e o desejo de que tudo acabe bem é geral.

sexta-feira, 20 de julho de 2007



Foto de Nilton Claudino.

Claudino é um dos grandes nomes do fotojornalismo carioca. Atualmente é chefe de fotografia do jornal O Dia e um grande conhecedor do cotidiano das comunidades carentes do Rio.

terça-feira, 26 de junho de 2007


Foto de Guillermo Planel. Missa por Alana na Candelária.
Como disse muito bem o Alex Senna neste blog, não há nada de bonito nestas imagens, porém, tanta dor, tristeza e sofrimento, tem de ser mostradas, tem de carregar consigo uma grande vontade de mudança, que algo possamos fazer pela realidade de nossa cidade, nosso pais, nossa América Latina.
A fotografia tem obrigação de contribuir para uma tentativa de (r)evolução social, senão, o fotojornalismo não tem função histórica, não contribui em nada para um mundo melhor. A violência é cruel, mas ignora-la, fingir que não existe, é mais cruel ainda.
Alex, vamos todos nos cuidar. Um grande abraço.

terça-feira, 19 de junho de 2007


Foto de Custódio Coimbra
Foto de Guillermo Planel - Passeata "Luto pelo Rio" em Copacabana. 700 cruzes nas areias da praia em protesto pelo mesmo número de mortes por armas de fogo na cidade no período de primeiro de janeiro até 17 de março de 2007, data do protesto.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Foto de Carlos Wrede. "Que futuro é esse?" Foto vencedora do XII Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo.
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